Visão e interpretação estatística do Metodismo Gaúcho (1885 – 1998)
Sob a direção do dr. João da Costa Corrêa, o metodismo chegou ao Rio Grande do Sul. A primeira igreja teve seu início em Porto Alegre a 27 de setembro de 1885, com seis membros fundadores.
Em março de 1887 o Dr. João Corrêa, a convite de um grupo de irmãos Valdenses, oriundo da Itália, visita a região colonial do Estado, e dá início á segunda igreja metodista que, no ano seguinte, 1888, recebe a direção por parte do Rev. Carlos Lazzare, provindo da Igreja Metodista da República do Uruguai. Já em 1889 erguia-se, em Bento Gonçalves, o primeiro templo metodista no Estado.
Para ajudar no atendimento, junto a região colonial, chega do Uruguai, em 1892, mais um obreiro, Matheus Donatti. Sob sua direção os irmãos em Forqueta do Caí adquirem uma "capela que tinha servido de conservatório de imagens da Igreja Romana", tornando-se a primeira capela metodista no Estado.
A Igreja Metodista no RGS, teve seu início em 1885 com seis membros. Quinze anos depois, quando deixou de ser missão da Igreja Metodista Episcopal do Uruguai, para fazer parte da Missão da Igreja Metodista Episcopal do Sul, no Brasil, contava com cinco igrejas, totalizando 228 membros.
No ano de 1910 contava com 12 igrejas e 1.373 membros. Em dez anos dobrou o número de igrejas e quintuplicou o número de membros.
O próximo decênio, 1910 - 1920, trouxe um aumento de mais seis igrejas e apenas 355 novos membros, dando um total de 18 igrejas e 1728 membros.
Já no decênio seguinte, 1920-1930, foram organizadas mais 13 igrejas e o número de membros dobrou. Registram-se 31 igrejas com 3.460 membros.
Esse foi o decênio da "Celebração do Centenário da Obra Missionária da Igreja Metodista dos Estados Unidos da América do Norte", 1822 - 1922. Foi nesse período que se construíram os templos de: Passo Fundo (1918), Cachoeira do Sul (1919), Santa Maria 1920), Livramento (1922), Caxias do Sul (1922), Itaqui (1923), São Borja (1923), Cruz Alta (1924), e Rio Pardo (1926).
O projeto arquitetônico de todos esses templos, exceto o de Rio Pardo foi do Rev. Claude Livingstone Smith. Dele, também, foram os projetos arquitetônicos da Igreja Metodista de Uruguaiana (1907), Igreja Institucional (1910) Igreja Metodista de Alegrete (1914 e da Igreja Central de Porto Alegre (1914).
Ainda como parte das Celebrações do Centenário são organizados no Estado três instituições de ensino, tendo seus prédios construídos: Instituto Educacional, Passo Fundo, em 1921; Colégio Centenário, Santa Maria, em 1923; Instituto Porto Alegre, em 1924. E ainda em 1922, a aquisição e adaptação do prédio na Av. Independência para o Colégio Americano, em Porto Alegre.
No decênio de 1930 -1940 surgiram mais 11 igrejas, totalizando 42 igrejas com um rol de 4.950 membros. Foi um período de consolidação das igrejas existentes e estabelecimento das novas igrejas que, juntas, ainda hoje, formam o arcabouço da Igreja Metodista no Estado.
Os próximos vinte anos, 1940 -1960, marcam o período áureo do desenvolvimento e ação das organizações da Igreja, especificamente a Escola Dominical e os grupos societários.
A ESCOLA DOMINICAL, em 1940, registrava 74 escolas com 5.392 alunos. No ano de 1960 alcança o seu pico com 108 escolas e 8.591 alunos. A partir da década de 1960 a Escola Dominical entrou em declínio, alcançando a sua mais baixa cotação em 1998, com 88 escolas e apenas 2.448 alunos.
O primeiro golpe dado á Escola Dominical foi pelo Concílio Geral de 1971, abolindo as Junta Gerais, particularmente a de Educação Cristã, que providenciava o material curricular, cursos de preparação de professores, bem como o padrão de organização.
O segundo grande golpe foi retirar a Escola Dominical da estrutura da Igreja. Em 1960 a Escola Dominical ocupava um capítulo inteiro dos Cânones; em 1971 apenas dois artigos e um parágrafo único; a partir de 1988 não há qualquer referência a Escola Dominical.
Os GRUPOS SOCIETÁRIOS de mulheres, homens, jovens e juvenis também alcançaram o seu apogeu em 1960, mas de lá até o presente, com exceção das sociedades de mulheres, estão praticamente inexistentes. Veja-se o quadro abaixo:
SMM
1960...............56 sociedades ...........................1.959 sócias
1998 ..............36 sociedades...............................857 sócias
SMH
1960 ..............25 sociedades...............................687 sócios
1998 ................9 sociedades...............................105 sócios
SMJ
1960...............41 sociedades...............................943 sócios
1998.................8 sociedades...............................135 sócios
SMJu
1960...............20 sociedades...............................354 sócios
1998.............. 10 sociedades...............................131 sócios
+ Fatores que influenciaram no desmantelamento dos grupos societários:
1. A crise ideológica que abalou o país e também a Igreja Metodista no final da década de 1960 e na década de 1970.
2. O surgimento, aceitação e promoção, por um grupo de liderança da Igreja, da teologia da libertação.
3.Abolição das Juntas Gerais da Igreja, em 1971, particularmente da Junta de Educação Cristã, que provia os grupos societários com programas e sugestões de atividades, bem como com estatuto para sua organização e funcionamento.
4.A crise causada pelo movimento carismático. no início da década de 1970, encabeçado por dois destacados e influentes pastores líderes na região.
5.O ecumenismo eufórico com a Igreja Católica, década de 1970.
6. A "implantação" do "Plano Vida e Missão", em 1983, como finalidade em si e não como meio para a realização do Reino de Deus.
7. A organização da Igreja em "Dons e Ministérios", em 1988, tornando os grupos societários em apêndices desnecessários e até indesejáveis.
8. A indefinição de objetivos e forma organizacional dos grupos societários, deixados a deriva, os tornaram pouco interessantes aos que poderiam ser atraídos por eles.
+Outro dado estatístico a ser considerado é do número de pastores e o número de membros da Igreja
O número de pastores a partir da Autonomia, 1930 até 1950 foi de 25 pastores; em 1960 eram 33 pastores; em 1970 eram 36 pastores; em 1980 eram 33 pastores; em 1990 eram 39 pastores; e em 1998 eram 46 pastores, em trabalho pastoral.
O crescimento numérico da parte dos membros da igreja foi de, em média, cem novos membros por ano, a partir de 1885, alcançando seu número máximo em 1980, com 10.294 membros.
De 1980 até o presente tem havido um aumento no número de pastores e um decréscimo no número de membros, conforme o quadro abaixo;
1980
33 pastores.....................................10.294 membros
1990
39 pastores.......................................8.539 membros
1998
46 pastores.......................................8.943 membros
Além dos 46 pastores nomeados para as 45 igrejas, 43 congregações e 28 pontos de pregação, a região conta com mais 10 pastores em trabalho institucional e 2 como missionários, um em Portugal e um no Uruguai. Dando assim um total de 12 pastores que não tem nomeação para igreja local na região.
O decréscimo no número de membros da igreja, apesar do aumento do número de pastores, deve-se, em grande parte, às mesmas razões expostas no item +Fatores que influenciaram no desmantelamento dos grupos societários. E particular- mente do conflito surgido entre pastores e laicato pela ênfase extremada na teologia da libertação, que afastou muito da liderança leiga tradicional de Igreja, bem assim como da juventude.
Porto Alegre, setembro de 1999
Obs. Por muitos anos servi como secretário regional de estatística. Daí meu gosto pelos números e sua interpretação. Esta nem sempre bem aceita, mas confirmada com o passar do tempo. J.N.Betts
